Seção 9, Tópico 8
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Da escravidão emocional à libertação emocional

Ravi Resck 16 de maio de 2021
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Rosenberg afirma que quando começamos a entrar nesse processo de descoberta emocional, a coisa não acontece de uma hora para outra. Ele propõe um modelo descrito em três diferentes estágios que vai da escravidão à libertação emocional.

Estágio 1: Escravidão emocional

Aqui nós acreditamos que somos responsáveis pelas emoções dos outros. Achamos que devemos fazer de tudo para agradar a todos.

Este é um processo absolutamente perigoso para qualquer relação, especialmente para relacionamentos amorosos.

É aqui que nasce o mártir que aprende a se acomodar e atender às exigências alheias sem levar suas próprias necessidades em consideração.

Essa reação é muito comum para aqueles que vivem o amor como uma negação das suas próprias necessidades a fim de atender as necessidades da pessoa amada.

Um exemplo de como uma pessoa minimamente consciente lidaria com essa situação é: “Não consigo suportar quando me perco em relacionamentos. Quando vejo minha amada sofrendo, eu me perco e simplesmente tenho de me libertar”.

Se for o caso de uma pessoa que ainda não atingiu esse nível de percepção, poderia dizer: “Minha amada tem tantas necessidades e é tão dependente que está causando muita tensão em nosso relacionamento”.

A parceira poderia responder empaticamente: “Então você está em pânico. É muito difícil pra você manter a dedicação e o amor que tivemos sem tornar isso uma responsabilidade, um dever , uma obrigação. Você sente sua liberdade acabando porque você acha que tem que tomar conta de mim o tempo todo”.

Se ao invés disso ela perguntasse:”Você está se sentindo tenso porque tenho exigido muito de você?” é muito provável que este casal ficaria em um loop eterno de escravidão emocional, um a refletir a prisão do outro.

Estágio 2: Ranzinza

Aqui nós tomamos a consciência de que assumir a responsabilidades pelos sentimentos dos outros é algo que vem com um alto custo. Começamos a perceber o quanto da nossa vida nós perdemos em função disso e somos invadidos por um sentimento de raiva. É aquele momento que ao sermos confrontados com o sofrimento de outra pessoa dizemos coisas como “Problema é seu! Não sou responsável por seus sentimentos!”. Ficamos ranzinzas.

Aqui nós já descobrimos que não somos responsáveis pelos sentimentos dos outros mas ainda não percebemos como podemos ser responsáveis para com os outros de uma forma que não nos escravize emocionalmente.

É possível que ainda tenhamos medo e culpa por termos as nossas próprias necessidades nesse estágio, o que é um resquício do estágio anterior da escravidão emocional.

Basicamente este é o estágio em que começamos a aprender mais sobre como levar as nossas próprias necessidades em consideração e às vezes nos tornamos verdadeiros brutamontes ao expressar isso. É algo natural e motivo de celebração. Significa que estamos a recuperar a nossa coragem de nutrir a nós mesmos.

Estágio 3: Libertação Emocional

Aqui nós aprendemos a responder às necessidades alheias por compaixão. Nunca por medo, culpa ou vergonha.

É um autêntico processo ganha-ganha onde estamos a nutrir e a ser nutridos.

A libertação emocional envolve expressar claramente aquilo que precisamos ao mesmo tempo que estamos igualmente empenhados em atender às necessidades alheias.

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