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Visão Geral das metodologias

Ravi Resck 25 de fevereiro de 2021

Quais metodologias serão abordadas? 

São muitas as metodologias que compõem o processo de design colaborativo. Quando falamos de design inspirado pela natureza e com foco na regeneração econômica e socioambiental, é preciso compilar uma imensidão de conteúdos que podem ser úteis par alcançar este objetivo.  Eu chamo esta compilação de CollabDesign 1.0

Collab vem de Colaboração e Design de desenhar, planejar. 

Esta compilação nasce a partir da minha inquietação em ter que buscar soluções em lados diferentes o tempo todo para cada contexto diverso em que trabalho. É uma proposta de diálogo entre tecnologias sociais que se complementam.

O Meta Modelo de Organismos Vivos aplicado aos Projetos desenvolvido por John Croft é a linha condutora deste diálogo.

Sendo assim, as metodologias que são abordadas dentro do universo do CollabDesign são várias. Algumas delas já foram citadas na divulgação do curso e vou repeti-las aqui.

Design Thinking
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Design Thinking é uma abordagem usada para resolver problemas de maneira criativa a partir da coleta abrangente de informações sobre o contexto do problema e as pessoas envolvidas nele para depois partir para a geração de ideias e teste de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia pelo contexto de um problema de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e pensamento crítico para analisar e adaptar as soluções para o contexto. Adotado por indivíduos e organizações, principalmente no mundo dos negócios, bem como em engenharia e design contemporâneo, o design thinking tem visto sua influência crescer entre diversas disciplinas na atualidade, como uma forma de abordar e solucionar problemas. Leia Mais

Teoria U

A Teoria U propõe que a qualidade dos resultados que criamos em qualquer tipo de sistema social depende da qualidade de atenção, presença e consciência que mostram os participantes. A grande maioria das metodologias é baseada no aprendizado com o passado, enquanto a maioria dos desafios no mundo precisa de algo diferente: abrir mão do passado, para compreender o que é verdadeiro, a fonte e criar as possibilidades de futuro emergentes. Esta metodologia oferece ferramentas incríveis que pretendem reconectar o indivíduo consigo próprio, com os outros e com o ambiente através de um poderoso sistema. Dentro da Teoria U também encontramos o Teatro de Presenciamento Social, uma ferramenta poderosa que permite que os participantes encorporem as soluções apresentadas pelo modelo. Leia Mais

Dragon Dreaming

Dragon Dreaming oferece um conjunto de técnicas e ferramentas para criar projectos colaborativos de forma que possamos captar a inteligência colectiva de um grupo e desenvolver idéias através de brincadeiras e jogos. Todo o processo é feito de uma forma lúdica e as pessoas são convidadas a explorar uma nova forma de trabalhar em um processo de autogestão. Esta é uma metodologia voltada para a inovação social e reúne mais de 60 ferramentas para empoderar projetos que sejam voltados para o desenvolvimento pessoal, fortalecimento de comunidades e prestar um serviço ao planeta Terra. Leia Mais

Sociocracia
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A Sociocracia é uma metodologia que oferece um sistema de governança que opera de baixo para cima através de uma estrutura circular. É composta de poderosas ferramentas para tomada de decisão, resolução de conflitos, eleições de representantes em organizações e gestão descentralizada. De fato, a sociocracia poderia oferecer toda uma nova forma de governar uma empresa, escola e até mesmo um país. Hoje existem outras vertentes inspiradas na sociocracia que trazem pequenas diferenças: a Sociocracia 3.0 , Organizações Orgnânicas (O2) e a Holacracia. Leia Mais

Comunicação Não Violenta (ou CNV)

A comunicação não violenta, desenvolvida por Marshall Rosenberg, é uma proposta de um modelo de comunicação que pretende tornar o processo de comunicação em algo mais compassivo e humanitário. Rosenberg percebeu que a maioria das pessoas querem se comunicar de forma empática, mas não possuem o vocabulário para expressar sentimentos e necessidades. Ele desenvolveu um simples modelo de comunicação onde as pessoas podem praticar a empatia através de um sólido vocabulário emocional que clarifica as necessidades das pessoas. É uma poderosa ferramenta de resolução de conflitos e auto-conhecimento, essencial em qualquer tipo de organização que pretende oferecer um espaço acolhedor para seus integrantes.

Pensamento Sistêmico
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O pensamento sistêmico é a base de todas as metodologias aqui apresentadas. De fato, é a atualização da ciência moderna para o século XXI. É uma abordagem que pretende ver o mundo como uma rede, como um emaranhado de complexas relações que se adaptam de acordo com as suas interações. Podemos dizer, genericamente, que um sistema é um conjunto de partes que interagem entre si. A raiz do pensamento sistêmico está na idéia de que cada parte do sistema influencia o todo (o coração que funciona mal não prejudica, apenas, o sistema circulatório, mas todos os demais orgãos). Dizer que algo é um sistema significa afirmar que esse algo é constituído por um conjunto de partes que se influenciam mutuamente. As partes podem ser pessoas (como um time de futebol), conceitos e idéias (os valores de uma empresa) e até processos.

Teatro do oprimido
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O Teatro do Oprimido foi desenvolvido pelo diretor de teatro brasileiro Augusto Boal. Suas explorações basearam-se no pressuposto de que o diálogo é a dinâmica comum e saudável entre todos os seres humanos, que todos os seres humanos desejam e são capazes de dialogar e que, quando um diálogo se torna um monólogo, a opressão se inicia. O teatro torna-se então uma ferramenta extraordinária para transformar o monólogo em diálogo. “Enquanto algumas pessoas fazem teatro”, diz Boal, “todos somos teatro”. Esta metodologia é essencial para empoderar um social designer e fazer com que as organizações se engajem no processo de regeneração na primeira pessoa através de um abordagem lúdica e gamificada. Leia Mais

Pedagogia do Oprimido

A pedagogia do oprimido foi proposta por Paulo Freire em 1968 como a nova visão da educação libertadora. Nós vivemos em uma sociedade em que experimentamos um eterno ciclo de opressão. E, dentro deste ciclo, o maior sonho do oprimido é se transformar em opressor. A pedagogia do oprimido pretende romper com este ciclo e dar a opção ao oprimido de quebrar as correntes opressoras do sistema educacional. Através de uma visão compassiva e sóbria, Paulo Freire revolucionou a educação e construiu a base para o que hoje chamamos de facilitação. Leia Mais

Ecologia Profunda

A ecologia profunda, tradução direta do inglês deep ecology, é um conceito proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Næss em 1973, que vê a humanidade como mais um fio na “teia da vida” (web of life). Segundo esse conceito, cada elemento da natureza, inclusive a humanidade, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio do sistema da biosfera. O termo foi criado para contrapor o conceito, também formulado por Næss, de “ecologia rasa”. Segundo ele, esse é o paradigma dominante sobre o uso dos recursos naturais, no qual humanos são o centro de tudo e a natureza constitui algo a ser explorado. Uma das grandes pensadoras da Ecologia Profunda é Joanna Macy. Uma voz respeitada nos movimentos pela paz, justiça e ecologia, ela entrelaça sua formação acadêmica com cinco décadas de ativismo. O princípio central da ecologia profunda é a crença de que o ambiente como um todo deve ser respeitado e considerado como tendo certos direitos legais inalienáveis de viver e florescer, independentemente de seus benefícios instrumentais utilitários para o uso humano.

Gamestorming

Criatividade e inovação há muito são vistas como uma “caixa preta”. Como pessoas de negócios e formatadas pela sociedade, normalmente não tentamos entender esse processo.

Quando designers, inventores e outras pessoas chamadas “criativas” entram em uma sala com um objetivo ou desafio a ser resolvido, esperamos que elas saiam com descobertas e resultados mais ou menos criativos. Quando os observamos em atividade, podemos notar uma combinação de uso de esboços, conversas animadas, mesas bagunçadas e bebidas. No entanto, a natureza fundamental do que acontece naquela sala permanece  um mistério. É fácil deixar a criatividade para os tipos “criativos” e dizer para si mesmo: “Eu não sou uma pessoa criativa”.

O fato é que, em uma economia complexa, dinâmica e competitiva, não é mais aceitável ficar nessa posição. Se você é uma pessoa que trabalha com processos colaborativos, deve se tornar, até certo ponto, uma pessoa criativa.

Pessoas criativas tendem a aplicar técnicas práticas e estratégias simples para ajudá-las a chegar onde elas querem. Elas usam ferramentas para examinar as coisas a fundo, para fazer experimentos e testar hipóteses, para gerar insights e resultados novos e surpreendentes.

Essa práticas foram coletadas e chamadas de “gamestorming”, uma coleção com o melhor dessas ferramentas reunidas em um único local.

Biomimética 3.8

A biomimética pode ser muita coisa: um modelo mental, uma ferramenta de inovação ou uma ciência. Mas não se preocupe, saber a descrição exata do termo não muda o grande objetivo dela, que é a inspiração na natureza e nas condições criadas ao longo de sua existência. Se observarmos a formação da palavra, conseguimos compreender de forma mais literal a sua acepção: bio significa vida e mimesis é imitação. A biomimética, portanto, é a imitação da vida. Dessa forma, a gente pode resumir a biomimética de forma simplificada usando o título do livro da Janine Benyus, cofundadora do Biomimicry Institute: “Biomimética é a inovação inspirada pela natureza.”
A biomimética é a conexão da natureza com o design, e é assim que a gente consegue compreender a sua importância para a resolução de problemas do mundo contemporâneo. Ainda segundo a Janine, a biomimética traz o conceito da natureza como modelo, como medida e como mentora de todas as coisas. 

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