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A importância de Brincar

Ravi Resck 30 de julho de 2021

Para apresentar este tema farei uma reprodução integral de uma matéria do site Greenest Post acerca da importância do Brincar. O artigo foi inspirado na Ted Talk Brincar é mais do que diversão – é vital, apresentada por Stuart Brown no TED 2008. Também cito nas referências um vídeo de uma conferência completa realizada por Portia Tung sob o título “The Power of Play: Making good teams great” de 2015. 

O que o brincar pode fazer pelo seu cérebro? Ao longo dos últimos anos, diversas áreas da ciência têm se dedicado ao tema. E têm descoberto o poder da brincadeira, não só para o desenvolvimento das crianças, mas também para melhorar a qualidade de vida dos adultos

Um desses estudos é conduzido pelo psiquiatra e pesquisador Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play (Instituto Nacional para o Brincar, em português). Ele começou a estudar o tema quando percebeu, em suas pesquisas, que os grandes criminosos da história apresentaram uma enorme carência de brincadeiras em sua infância.

“Nada ilumina o cérebro tanto quanto brincar. Brincadeiras tridimensionais ativam o cerebelo, mandam vários impulsos para o lobo frontal — a parte executiva do cérebro —, ajudam o desenvolvimento da memória contextual, entre outros benefícios”, explica ele.

Uma pesquisa feita com ratazanas comprova a importância da brincadeira na infância para a sobrevivência na vida adulta. As ratazanas foram divididas em dois grupos, sendo que um deles foi impedido de brincar em determinada fase da infância.

Quando confrontados com o perigo (o odor de gato), ambos grupos se esconderam. Entretanto, o grupo que não havia brincado se escondeu para sempre, e acabou morrendo. As que brincaram, lentamente voltam a explorar o ambiente e começam novamente a testar a segurança lá fora.

Os ratos têm estruturas cerebrais parecidas com as nossas, por isso esses achados podem ser considerados importantes para os humanos também.

O OPOSTO DE BRINCAR NÃO É TRABALHAR. É DEPRESSÃO!

“Uma coisa muito peculiar sobre a nossa espécie é que fomos concebidos para brincar ao longo de todo o nosso curso de vida”, destaca Brown.

Segundo o pesquisador, a base da confiança humana é estabelecida a partir dos sinais de brincadeiras: tom de voz, gestos corporais, expressões faciais…

E nós começamos a perder esses sinais, culturalmente, à medida que nos tornamos adultos. “Isso é uma lástima. Acho que temos muito a aprender.”

NEOTENIA: VOCÊ CONHECE ESTA PALAVRA?

Stuart Brown acredita que neotenia deveria ser o nome e o sobrenome de cada um de nós. A palavra significa a retenção de qualidades infantis na fase adulta. Segundo diversos estudos antropológicos e de outras áreas, os humanos são as mais “neotênicas” das criaturas: as mais juvenis, flexíveis, plásticas e, portanto, as mais brincalhonas. E isso faz toda a diferença em matéria de adaptabilidade.

Por isso, é importante que cada um de nós analise seu próprio histórico de brincadeiras. Cada um tem um histórico pessoal e único, e que raramente pensamos sobre.

FAÇA UM TESTE!

Tente resgatar na sua memória a mais antiga, clara e alegre lembrança de brincadeira de sua infância. Seja um brinquedo, um aniversário ou umas férias. E comece a construir, a partir da emoção dessa lembrança, como ela se conecta à sua vida agora. Esse resgate pode levá-lo a tornar a brincadeira uma ferramenta para a vida pessoal e profissional. “Você conseguirá enriquecer sua vida priorizando isso e prestando atenção a isso”, garante Stuart Brown.

“Assim, gostaria de estimular vocês todos a se engajarem não no diferencial trabalhar x brincar — no qual você separa tempo para brincar —, mas que sua vida se infunda minuto a minuto, hora a hora, com corpo, objeto, social, fantasia, em tipos transformacionais de brincadeiras. E creio que vocês terão uma vida melhor e mais realizadora”, completa.

Tipos de Brincadeiras

Os tipos de brincadeiras são as diferentes formas de brincar mapeadas por Stuart Brown dentro do comportamento humano. A lista original foi copiada da ficha técnica #25 de Dragon Dreaming, e Stuart Brown descreve algumas com detalhes  na mesma Ted Talk citada anteriormente.                    

  • Brincadeiras imaginativas. Elas acionam os recursos mais profundos da intuição individual e ficam moldadas em história. São frequentemente associadas com o sonhar noturno e acordado.                       
  • Brincadeiras individuais. Esta é a capacidade do indivíduo se entreter sem a necessidade de contato prolongado com os outros.
  • Brincadeiras de embaralhar. Em nossa cultura isto é normalmente suprimido por um professor pré-escolar bem intencionado e os pais que preferem a calma e a ordem ao aparente caos que é típico de brincadeiras livres de infância.   
  • Brincadeira sem Controle. São saudáveis. A conscientização por parte dos pais e professores sobre o valor da livre organização pelas crianças – ou seja, levemente supervisionadas. Brincar para as crianças do ensino fundamental em recesso é outra área onde é necessário um maior conhecimento sobre os aspectos saudáveis da brincadeira.       
  • Brincadeira de Experimentar e Adaptar. Jogos de construção. Protótipos. Pensar com as mãos. Testar.
  • Comportamentos de Interpretar. Pode ser uma forma de explorar falhas de projeto. Os adultos não acreditam, mas a brincadeira é sempre uma ferramenta de empatia.          

Referências

Brown, Stuart. (2010) Play. How it Shapes the Brain, Opens the Imagination, and Invigorates the Soul.

Greenest Post

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