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Aprendizagem, Criatividade e Aha’s

Ravi Resck 22 de abril de 2021

A idéia dos níveis de competência é oferecer um modelo dos diferentes estágios percorridos durante a aprendizagem de qualquer coisa.

O estudo foi realizado por Noel Burch nos anos 70 e era chamado de Competence Ladder (escada da competência) e pode ser bastante útil para nos ajudar a entender as nossas emoções durante o processo de aprendizagem que, como todos sabem, algumas vezes pode ser frustrante.

O modelo exalta dois fatores que afetam o nosso raciocínio quando estamos aprendendo: a consciência (estar ciente) e o nível de habilidade (competência).

Vamos analisar o processo de aprendizagem com base neste modelo e relacionar esta idéia com a maximização dos aha’s através de metodologias inovadoras como Dragon Dreaming.

A ignorância de nossas incompetências

No primeiro nível estamos inconscientes da nossa incompetência. É aquele estado em que não sabemos que não sabemos. Somos completamente ignorantes sobre a nossa própria ignorância acerca daquele assunto. Para sair deste estágio temos que sentir o chamado da aventura. Ferramentas como análise de forças e fraquezas pessoais (swot) podem ser úteis para ajudar a perceber quais são as habilidades que temos que trabalhar. É muito importante ser sincero consigo próprio para começar o processo de autoconhecimento. Como vamos nos desenvolver se não sabemos o que precisa ser aprimorado? Em Dragon Dreaming, este estágio precede a tomada de consciência.

A Tomada de consciência

No segundo nível, nos tornamos conscientes da nossa incompetência. Acontece quando descobrimos que não sabemos de algo ou não temos alguma habilidade requerida para uma tarefa. Este nível pode ser desmoralizante e vai ser um dos primeiros limiares que vamos ter que cruzar para alcançar resultados transformadores. Este modelo em si nos ajuda a cruzar este limiar, uma vez que percebemos que o aprendizado é um processo dividido em várias fases. É importante também lembrar que só podemos aprender algo quando nos sentimos confusos. Se achamos que sempre sabemos de tudo, dificilmente vamos aprender algo. O estado de confusão indica que vamos aprender algo. E não vamos esquecer que muitas vezes somos surpreendidos com coisas interessantes ao nos envolvermos em alguma atividade tediosa. Portanto, também podemos dizer que coisas interessantes poderem ser encontradas mesmo quando algo nos entedia. Em Dragon Dreaming, este estágio inicia a tomada de consciência, que vai trazer grandes desafios ao viajante. Para se manter motivado, será preciso recolher informações.

O Aprendizado

No terceiro nível nos tornamos conscientes das nossas competências.  Aqui, você sabe que sabe mas ainda não tem um domínio completo sobre o assunto. Você coloca suas habilidades em prática e se sente mais confiante a cada vez que as utiliza. Para ir ao próximo estágio é preciso fazer uso dessas habilidades a cada momento, sempre que tivermos uma oportunidade. Às vezes um processo de voluntariado onde podemos exercer as nossas habilidades pode ser bastante útil. Em Dragon Dreaming, este é o momento de planejar. Aqui nós consideramos alternativas, desenhamos estratégias e testamos nossas habilidades em um projeto piloto.

A implementação

E no quarto nos tornamos inconscientemente competentes. Aqui não precisamos mais pensar sobre o que estamos fazendo. O exemplo clássico é dirigir um carro. Depois de um tempo isso se torna tão natural que já conseguimos conversar e fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Quando esse estágio é atingido, é importante continuar praticando para continuar a crescer sempre. Talvez agora também seja o momento de começar a ensinar essas habilidades. Em Dragon Dreaming, esta é a hora da realização. Implementamos as nossas idéias e isso gera um processo administrativo em que temos que monitorar o nosso progresso constantemente.

O Virtuosismo

O modelo de Noel Burch para aqui. Richard Bandler propôs um próximo estágio que seria maestria ou virtuosismo. É diferente do último estágio descrito porque quando alguém atinge esse nível nós temos a sensação de que a pessoa está brincando com aquilo que faz. Mestres fazem as coisas parecerem fáceis, eles encontram um ritmo contínuo que os permite exercer o máximo do seu potencial.  Atingir a maestria em qualquer coisa requer dedicação diária e um severo processo de autocrítica. Em Dragon Dreaming, a maestria vem através de novas habilidades adquiridas que nos possibilitam alcançar resultados transformadores. Com isso, adquirimos sabedoria e discernimento e tudo isso é englobado pelo arquétipo da celebração.

Malcolm Gladwell foi um dos responsáveis por propagar o mito de que são necessárias 10 mil horas para se dominar qualquer assunto e certamente foi muito criticado por isso. Daniel Goleman disse que esta afirmação é uma “meia verdade”. K. Anders Ericsson, o autor da pesquisa na qual Gladwell se baseou, pronunciou-se contra a super-utilização da idéia de 10 mil horas. Steven Kotler afirma que uma pessoa que está em estado de flow pode cortar este tempo pela metade. E Csikzentmihalyi, o autor do conceito do estado de flow, afirma que os mestres estão sempre em estado de flow ao colocar suas habilidades em prática.

Os Aha’s

Os Aha’s são epifanias, momentos eureka, conclusões nunca pensadas. Os Aha’s são uma tomada de consciência sobre coisas que não sabíamos que não sabíamos. É algo que vem diretamente do primeiro degrau da escada da competência de Noel Burch.

Os aha’s habitam a zona de ápice do fluxo pessoal de cada um de nós. Toda vez que nos conectamos com o nosso ritmo podemos maximizar as conexões feitas pelo nosso inconsciente e isto é o que gera um campo fértil para que as ideias floresçam.

Abaixo você encontra a introdução sobre os Aha’s extraída da ficha técnica #25 “Maximizando a Criatividade: pesquisas sobre felicidade, brincadeira e criatividade”, de John Croft.

“Edgar Mitchell, um astronauta da Apollo 14 que desceu à Lua, teve uma experiência ‘A-há!’ para a qual nada em sua vida o havia preparado.

Ao aproximar-se do planeta que conhecemos como casa, ele estava cheio de uma convicção interior tão certeira quanto qualquer equação matemática que ele já tinha resolvido.

Ele sabia que o belo mundo azul para o qual ele estava voltando é parte de um sistema vivo, harmonioso e completo – do qual todos nós participamos, como ele se expressou mais tarde, um “Universo de consciência”.

Isso ele descreve como o ‘A-há!’ ou “Efeito do Quadro Geral” (“Big Picture Effect”), que aconteceu quando ele viu pela primeira vez a Lua, a Terra e o Sol juntos.

O ‘A-há!’, ele sugere, é quando vemos algo que consideramos garantido e certo de uma forma completamente nova, ou quando descobrimos algo que nós não sabíamos que não sabíamos.

Ou seja, quando cruzamos espontaneamente a zona de inconsciência das nossas habilidades.

Como tudo em Dragon Dreaming é Fractal, o efeito ‘A-há!’ passa por quatro estágios:

1. O ‘A-há!’ aparece de repente, não necessariamente conectado de forma direta com o que se passou antes.

2. É a solução para um problema que parecia não existir ou representar dificuldades, dando uma visão sobre algo que anteriormente era imune ou não compreendido.

3. Há uma expressão de grande alegria e satisfação pela epifania ou insight que ocorreu.

4. Há a visão expressa pela pessoa que experimenta o efeito ‘A-há!’ que os fatos revelam ser totalmente verdadeiras.

A pesquisa mostra que, quando você descobre algo que você “não sabia que você não sabia”, muitas vezes surge uma sensação de que este saber é correto e exato momentos antes que você faça a descoberta. Na criação de projetos Dragon Dreaming devemos sempre buscar maximizar os ‘momentos ‘A-há!’’.

Tal liberação da criatividade precisa sempre focar em primeiro lugar um problema e, em seguida, deixá-lo partir.

Quando ocorrem os ‘momentos ‘A-há!’’?

As pessoas têm diferentes pontos de vista, e eles variam da seguinte forma:

• Interrupções inesperadas.

• Pensamentos noturnos.

• Depois da meditação.

• Tomando notas.

• Ouvindo música.

• Em reuniões de adoração.

• Saindo para caminhadas.

• Em rituais xamânicos.

• No relacionamento com psicotrópicos enteógenos (n.T.: enteogênese “manifestação interior do divino” referindo-se a estados alterados de consciência ou êxtase), como a cannabis.

• Andando de bicicleta

• Movimentando o reino da imaginação.

• Mantendo a crença de ser digno.

• Caminhar.

• À noite.

Estes momentos precisam de um certo tempo para acontecer – eles não podem ser acelerados, e é por isso que em Dragon Dreaming eu frequentemente afirmo que ‘você não pode apressar o
desabrochar de uma rosa’. Eu encorajo as pessoas a explorar os seus próprios processos para o cultivo de ‘Ahá!’, e dando-se oportunidade de experimentar outros.”

Referências

Crof, John. (2013) #25 – Maximizando a Criatividade.

Dragon Dreaming: Uma Introdução Sobre como Tornar seus Sonhos em Realidade Através do Amor em Ação(2014)

Hall, L. and Bodenhamer, B. (2009). The user’s manual for the brain.

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